1 de Maio - Ainda há direitos para perder?...

Os sindicatos deviam de ser uma “força de poder” para a mobilização, e não grupos de interesses.

 

Outrora na América as máfias estavam infiltradas e usavam os sindicatos como instrumento de chantagem.

Em Portugal, depois do 25 de Abril, as centrais sindicais foram inquinadas por lutas partidárias na procura do controlo sindical que minaram a confiança nessas instituições.

 

De tal modo que, a taxa de sindicalização sofreu uma enorme queda: de 60% em 1978 para 19% em 2010.

 

Alan Stoleroff, sociólogo, estuda há mais de 20 anos o movimento sindical português, as relações laborais e a política sindical; para ele: o principal problema dos sindicatos é atrair novos filiados numa altura em que o medo de perder o emprego e a precariedade são uma realidade cada vez mais presente no país.

 

Em 2000, num estudo sobre esta problemática, A. Stoleroff, registou 737 mil sócios na CGTP e 238 mil na UGT.

Oito anos depois, a Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida, registou 537 mil sócios na CGTP e 200 mil na UGT. Quanto aos sindicatos independentes, em 2000, estes sindicatos representavam 60 mil pessoas e registaram um crescimento de 40%.

 

A maioria dos trabalhadores em Portugal tem uma perceção de cultura de grupo muito “fraca”.

 

Os países que detêm as maiores taxas de sindicalização são os do norte da Europa e por isso, onde existe maior concertação social.

Com todos estes números, menos de 19% de representabilidade da força laboral, menos de um quinto, que validade tem a Concertação Social em Portugal?

 

Quando, quatro quintos dos trabalhadores não estão representados!

 

 

Estado é fiador da UGT desde 1996

 

Conta geral do Estado de 2012 renova garantia de 2,6 milhões de euros. Central sindical tem quatro empréstimos no valor global de 3 milhões

O Estado anda a conceder há vários anos garantias pessoais de 2,6 milhões de euros a empréstimos bancários contraídos pela UGT. Esta central sindical está a beneficiar destas garantias pelo menos desde o ano 2000, de acordo com os mapas das contas gerais do Estado (CGE). O i não conseguiu apurar nas contas de entre 1997 e 1999 se foram dadas garantias semelhantes, mas uma coisa é certa: em 1996 a UGT recebeu um aval de 600 mil contos (3 milhões de euros), concedido pelo ex-ministro das Finanças António Sousa Franco, para que a central pudesse pagar dívidas. A decisão causou uma grande polémica pois foi assinado pouco dias antes de o então secretário-geral João Proença ter celebrado o Acordo de Concertação Estratégica (ver texto da página ao lado).

O i procurou obter esclarecimentos junto da UGT mas tal não foi possível até à hora de fecho desta edição.

Mas de acordo com o Relatório e Contas de 2012, a UGT tem neste momento quatro empréstimos contraídos no valor global de 3 milhões de euros, sendo um deles (à Caixa Geral de Depósitos) de 2,9 milhões de euros. Os restantes são repartidos entre BCP (61,6 mil euros), BES (25,6 mil euros) e BPI (4,5 mil euros).

 

"situação mais equilibrada" 

 

 O Relatório revela ainda que o passivo total era de 3,9 milhões de euros no final de 2012 (menos 104 395 euros que em 2011). Além da dívida bancária, a UGT deve ainda 33 886 euros ao Estado e outros entes públicos (mais 2520 que em 2011) e 19 825 euros a fornecedores (+5930).

A central sindical tinha activos que totalizavam os 7,5 milhões de euros em 2012 (+ 12 585) e fechou o ano com um resultado líquido positivo de 116 979 euros.

"O período findo em 31 de Dezembro de 2012 foi caracterizado pelo reforço de uma gestão cuidada e eficiente no sentido de um equilíbrio de tesouraria, de forma a consolidar a recuperação financeira da UGT", lê-se no relatório.

No documento que apresentou no último congresso, os responsáveis da central garantem que "neste momento, a situação financeira está mais equilibrada e saudável".

"A UGT vive das quotizações e o respeito pelos compromissos financeiros assumidos de situações passadas depende do pagamento regular das quotizações, o que nem sempre tem sido efectuado, dados os condicionalismos económicos existentes", lê-se neste documento.

As quotas representaram 1,1 milhões dos 1,6 milhões de euros de receitas em 2012. Os restantes rendimentos vieram essencialmente de subsídios a projectos e seminários (247 mil euros) e reembolsos de despesas realizadas (73 888) e reembolsos das deslocações à União Europeia (59 798 euros).

Quanto aos custos, o documento refere "os importantes esforços efectuados no pagamento de dívidas relativas à formação profissional passada", os quais totalizaram "mais de 500 mil euros de 2009 a 2012". Em 2003, a UGT vendeu a sua sede, em Lisboa, por 2,5 milhões a um fundo de investimento imobiliário do Grupo Espírito Santo precisamente com o objectivo de pagar dívidas.

Apesar de o Processo Fundo Social Europeu ter finalmente chegado ao fim, o fecho de contas de formação profissional 1988/89 continua por regularizar.

Os gastos com pessoal totalizaram os 737 258 euros em 2012, mais 6% que em 2011.

 

http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/estado-fiador-da-ugt

 

 

 

 

 

 

publicado por Oficial de mecânica às 22:51 | link do post | comentar