PPP Baixo Tejo

Cobravam ao Governo 160.000 euros por manutenção de estrada. A obra era possível por 3000.

O secretário de Estado dos Transportes admitiu hoje que a manutenção de estradas da parceria público-privada do Baixo Tejo estava contratualizada a 160.000 euros/ano por quilómetro e que a Estradas de Portugal faz o mesmo trabalho por 3.000 euros.

Perante este quadro, o Governo não podia deixar os custos de manutenção de estradas das parcerias público-privadas do lado dos privados

Segundo Sérgio Monteiro, o caso do Baixo Tejo foi o "mais caro" que encontrou na renegociação das parcerias público-privadas, que permitiu transferir custos de manutenção de vias dos privados para a empresa pública Estradas de Portugal.

Esta subconcessão do distrito de Setúbal "tinha um custo de manutenção das estradas de 160.000 euros por quilómetro nos próximos anos e a Estradas de Portugal tem previsto no seu orçamento intervenções de manutenção que não ultrapassam 3.000 euros por quilómetro/ano", disse Sérgio Monteiro à agência Lusa.

"Quando transferimos o custo de manutenção para o nosso lado, fazemo-lo tendo em conta a informação que a Estradas de Portugal tem disponível", acrescentou o secretário de Estado dos Transportes, assegurando que os trabalhos de manutenção em causa eram rigorosamente os mesmos.

Sérgio Monteiro, que falava à agência Lusa em Almada, no distrito de Setúbal, sobre o plano de manutenção de estradas - Plano de Proximidade -, assegurou que, quanto a grandes reparações, também havia uma situação "inaceitável".

"As grandes reparações estavam previstas para intervalos entre oito e dez anos cada uma. Ora, a Estradas de Portugal, a informação que tem com base em dados estatísticos de gestão de mais de 10.000 quilómetros de rede [de estradas], levam a concluir que as grandes reparações não precisam de ser feitas com intervalos inferiores a 18 anos", disse, acrescentando: "o que isto é significa é que nós, por cada intervalo de 18 anos pagávamos duas grandes reparações, em vez de uma só reparação".

Sérgio Monteiro disse, ainda, que, perante este quadro, o Governo não podia deixar os custos de manutenção de estradas das parcerias público-privadas do lado dos privados.

"O que os partidos da oposição queriam era que deixássemos ficar este custo dentro dos contratos. Nós recusámo-nos a fazer isso, com base na informação estatística que existe nas Estradas de Portugal e que já existia à data [em que foram celebrados os contratos]", afirmou.

Segundo o governante, "quem tomou as decisões anteriores tem de responder por elas".

"Nós estamos muitos conscientes de que manteremos a qualidade do serviço e de que as decisões que estamos a tomar são aquelas que melhor defendem o interesse do Estado", concluiu.

Lusa/SOL

 

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publicado por Oficial de mecânica às 23:04 | link do post | comentar