Profissionais de Assistência Rodoviária...

Vigilantes da Estrada

 

Dedicados e sem horários fixos, os profissionais da Assistência Rodoviária da Brisa prestam um serviço de auxílio importante, mas que nem sempre é reconhecido.

 

Deparamo-nos recentemente com uma das 83 viaturas da Brisa em plena auto-estrada.

Estavam a remover da faixa de rodagem da A1 o que parecia ser um barrote de madeira.

Intrigados com o sucedido, quisemos saber mais sobre as tarefas deste departamento da concessionária rodoviária.

 

Contactámos um responsável da empresa, que prontamente acedeu ao nosso pedido de entrevista na condição, porém, de o mantermos no anonimato. «Prefiro dar protagonismo a quem o merece», referiu, que é como quem diz «dá-lo aos profissionais que, todos os dias, se dedicam a ajudar os condutores e a salvar vidas».

 

MAIS QUE DESEMPANAGEM

Não parece, mas o serviço de assistência rodoviária é muito mais do que a «desempanagem das viaturas».

 

De início foi difícil interiorizar que um técnico - que tem como missão «minimizar ao máximo o tempo de imobilização do veículo na via pública» - poderia ser determinante para a sobrevivência de um sinistrado. Afinal, desde quando é que um mecânico salva vidas?

Mas tudo fez sentido depois de falarmos com Manuel Costa e Luís Filipe, dois profissionais da Brisa Operação e Manutenção - o departamento que congrega a antiga Brisa Assistência Rodoviária desde Dezembro de 2009.

 

Trabalham na empresa «há mais de 18 anos», tempo suficiente para poderem relatar as mudanças sofridas no organismo e no comportamento dos condutores portugueses, mas também a dimensão dos problemas do seu quotidiano. Ambos reconhecem que o objectivo primário da sua profissão é «retirar as viaturas que se encontram paradas na auto-estrada e, em caso de acidente, sinalizar imediatamente o local afectado».

 

Mas, para que isso aconteça, é necessário «chegar a ele o mais depressa possível».

Para tal, os técnicos da Brisa têm uma formação específica, que começa desde logo no processo de triagem.

É exigido «o 9º ano como escolaridade mínima, conhecimentos de mecânica e total disponibilidade», até porque «esta é uma profissão que não se compadece com horários», referiu o responsável anónimo.

 

São depois efectuados testes psicotécnicos que avaliam se os candidatos possuem o distanciamento necessário à profissão, ou seja, se conseguem resistir às situações mais flagelantes: «Verificamos se têm fobia ao sangue e "estofo" para lidar com situações de crise», acrescentou, porque «não é só a desempanagem que está em causa, é também o contacto, muitas vezes, com pessoas feridas e em trauma evidente».

 

FORMAÇÃO

Terminada a triagem, a formação abrange as áreas da condução defensiva e do atendimento, dando ainda um conjunto de técnicas de socorrismo aos seus formandos. Estes serviços são contratados externamente a empresas especializadas, ficando ao cuidado da Brisa as matérias sobre a sinalização e todos os processos que lhe são inerentes.

 

Existem onze formadores internos que transmitem os seus conhecimentos aos novos colaboradores, mas também aos quadros existentes:

«Todos os anos é feito um refrescamento», explica Luís Filipe, o segundo mecânico com quem falámos.

Logo depois, acrescenta que «a formação não é suficiente para chegarmos com rapidez a quem nos pede ajuda», referindo-se à colaboração dos restantes condutores que circulam na via pública:

«Muitas vezes queremos passar quando o trânsito está caótico e as pessoas não facilitam».

 

Manuel Costa acredita que a maioria reconhece a validade dos serviços da Assistência Rodoviária, uma percepção comprovada pelos inquéritos de satisfação da Brisa.

Os dados oficiais do Relatório de Sustentabilidade de 2009 indicam que, numa escala de 1 a 4, o nível global de satisfação com o serviço da Assistência Rodoviária foi de 3,6.

Mas nem sempre foi assim. Luís Filipe ainda se lembra de quem os visse com desconfiança:

«Na fase inicial, em 92/93, as pessoas pensavam que íamos penalizá-las.

Só depois é que começaram a perceber, à medida que a empresa foi crescendo e ganhando visibilidade, que estávamos ali, para as ajudar».

 

Hoje, as maiores dificuldades passam por «manter o sangue-frio quando nos deparamos com um acidentado, sinalizar de imediato a faixa de rodagem e convocar os serviços de assistência médica.

 

É importante que não caiam mais condutores na mesma situação»

 

Além da mudança - «para melhor» - da mentalidade e dos comportamentos, os dois mecânicos destacam a evolução tecnológica que a empresa sofreu ao longo dos anos.

Um progresso que veio facilitar o trabalho de socorro e de prevenção:

«O painel que se encontra no tejadilho foi uma ajuda valiosa, pois permite-nos colocar informação importante», aponta Luís Filipe.

Já Manuel Costa destaca a "consola" com localização GPS que indica aos serviços de monitorização onde se encontra a equipa de assistência.

 

Estes não são os únicos exemplos do investimento feito na área da segurança e contrastam com os recursos aplicados na desempanagem.

O encarregado que nos pediu anonimato explica que a Brisa tem «uma bitola de tempo definida», onde não podem ser ultrapassados os 30 minutos. «Depois disso chamamos o reboque», frisando que o investimento da empresa é feito em «elementos complementares» como a melhoria da sinalização. Esta inclui lanternas sequenciais, sinais de alumínio, telas de alta intensidade e o painel que se encontra no tejadilho da viatura.

 

SINALIZAÇÃO FAZ A DIFERENÇA

 

Mesmo durante o dia, a utilização de lanternas sequenciais pode fazer toda a diferença na visualização do "corte" da estrada.

O encarregado da Brisa explica porquê:

«O nível de exposição do sol não se desenvolve sempre da mesma maneira, podendo, por exemplo, oscilar entre nascente-poente ou poente-nascente. Com as sequenciais montadas a um metro do solo conseguimos realçar a sinalização».

 

 

Daí a insistência no refrescamento anual:

«Ao fim de algum tempo, a fita métrica parece que encurta. Os nossos manuais estipulam mínimos de segurança que podem ir dos 50 aos 100 metros, por exemplo. E eles não podem ser, de maneira nenhuma, ignorados.

 

 

Apostámos muito no reforço da formação ao ponto de simularmos acidentes.

Tudo para garantir que os técnicos cumprem os limites de segurança e para que se apercebam da importância de reter as metragens», conclui.

 

 

Não menos importante é a equipa da Assistência ser capaz de aguentar a carga emocional que o trabalho exige.

Estes mecânicos tanto podem ser chamados para «solucionar um furo e substituir uma vela ou a correia de distribuição»,

como para «sinalizar um grande acidente, ajudar na remoção dos destroços, vedar o acesso ao local e indicar o caminho alternativo».

 

 

Nem sempre é fácil, mas o grupo de trabalho ajuda.

Luís Filipe enaltece a dedicação dos profissionais que trabalham com ele.

Garante que o auxílio entre todos é fundamental e termina afirmando que não há nada como ajudar as pessoas:

«É a parte mais gratificante desta profissão»

 

 

Fonte: http://www.josedemello.pt/gjm_press_05.asp?lang=pt&empresa=1¬icia=8373

 

Acidentes provocam stress pós-traumático

 

 Mais de metade dos envolvidos em acidentes de viação apresentam sintomas de stress pós-traumático (PTSD) e 98% estão medicados nos primeiros dias. Um estudo da Universidade do Minho estima 124 mil vítimas de PTSD.

 

Os estudos americanos revelam que 11,5% das vítimas de acidentes rodoviários desenvolvem PTSD

Se considerarmos este último dado, contabilizando apenas os feridos dos últimos 20 anos em Portugal poderemos estimar que aproximadamente 124 mil vítimas portuguesas desenvolveram PTSD.

 

A afirmação consta do estudo "Acidentes rodoviários: Incidência de PTSD nas vítimas directas", elaborado por duas investigadoras da Universidade do Minho. Os resultados mostram que as lesões mais frequentes são as fracturas (78,6%), no entanto 95,2% dos participantes apresentam politraumatismos. Cerca de 98% dos participantes estão medicados após o acidente (apenas 23% com psicofármacos - antidepressivos e sedativo-hipnóticos)...

 

http://www.psicologia.com.pt/noticias/ver_noticia.php?codigo=NO01093

 

... é errado pensar que os distúrbios pós traumáticos estão normalmente associados a ambientes de conflito bélico...

 

 Luísa Sales realçou que, «felizmente, a maior parte das pessoas não fica com esse tipo de lesões» e consegue lidar com o impacto das próprias vivências traumáticas, sejam as que as vivem directamente, sejam aquelas com que se confrontam reflexamente, como acontece com os bombeiros ou os profissionais de saúde.

 

http://diario.iol.pt/noticia.html?id=907524&div_id=4071

 

 

"A questão é saber se podeis obrigar as palavras a quererem dizer coisas diferentes” Lewis Carroll

 

 

 

“O Jornal é uma tenda na qual se vendem ao público as palavras da cor que se deseja” Balzac

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Oficial de mecânica às 17:59 | link do post | comentar