Estradas - Concessão Rodoviárias...

Estradas - Concessão Rodoviárias.

 

Desde a década de 1970 que Portugal tem vindo a desenvolver de forma significativa a sua rede rodoviária.

 

A qualidade do asfalto de muitas estradas melhorou bastante e o país que em 1985, tinha 180 quilómetros de auto-estradas, em 2009 chegava a cerca de 2800 quilómetros.

 

Todo este crescimento da rede viária, permite, sem dúvida, o desenvolvimento de várias regiões, mas o impacto ambiental de todas estas infra-estruturas no meio ambiente tem os seus custos e era importante saber se as estradas foram construídas em terrenos desafectados da Reserva Agrícola Nacional ou da Reserva Ecológica Nacional. Casos de auto-estradas e vias rápidas construídas em plenas áreas protegidas.

 

São inevitáveis os efeitos causados na vida selvagem e mais tarde o consequente atropelamento dos animais que surjam nas vias.

 

A existência de “Ecodutos (Passagem Específica para Grande Fauna), passagens inferiores agrícolas para a restante fauna ou as redes de vedação, não conseguem evitar na totalidade a passagem de animais de pequeno porte e não conseguem impedir os efeitos nocivos para uma boa parte dos restantes.

 

Para além dos atropelamentos dos animais, os efeitos causados pelo trânsito automóvel, como o ruído, a poluição, o lixo que tantas vezes é atirado dos automóveis, um cigarro atirado pela janela do automóvel que pode provocar um incêndio florestal, ou a iluminação dos faróis, tudo isto, causa danos nos ecossistemas e na biodiversidade. No caso de uma estrada construída mais elevada, o risco de cheias ou o risco de derrocadas em consequência da instabilidade dos taludes, são muitas vezes inevitáveis.

 

A contaminação das águas subterrâneas (aquíferos) e das águas superficiais dos rios ou dos lagos, por efeito das águas pluviais, misturadas com substâncias oleosas libertadas pelos automóveis (apesar do substancial melhoramento do parque automóvel), são outros dos efeitos nocivos para os ecossistemas. Com o aumento do número de automóveis por pessoa e por cada nova estrada construída, incentiva-se cada vez mais a utilização do automóvel que é um dos meios de transporte mais poluentes e com enorme contribuição para o efeito de estufa.

 

Os impactos sociais do trânsito automóvel na saúde das pessoas, pelo ruído, pelos poluentes libertados para a atmosfera ou pelo aumento do risco de acidentes rodoviários que são um drama em todo o mundo e em particular em Portugal, resultam num flagelo social.

 

Uns dos impactos mais imediatos na vida das pessoas com a construção de estradas são as expropriações dos seus terrenos. Estas expropriações provocam verdadeiros dramas com a expulsão inevitável das suas terras e das suas casas para serem realojadas em locais onde não se identificam, ou perdem qualidade na sua vida, para não falar dos meios de subsistência que muitas vezes ficam perdidos e sem que as entidades oficiais consigam alternativas válidas.

 

A construção das estradas tem custos financeiros imediatos e anormalmente astronómicos. E os custos subsequentes podem ser ainda consideráveis.

Os custos com a manutenção ou o incumprimento dos limites de emissões de gases de efeito de estufa acarretam também custos para o Estado, ou seja, para todos os cidadãos.

 

Devido à actual crise financeira e à pressão dos partidos da oposição, o governo está a repensar as grandes obras públicas. Há momentos em que é preciso avaliar, pensar e debater. O investimento em transportes públicos em Portugal continua a ser residual quando comparado com outros países europeus, nomeadamente, a vizinha Espanha.

 

Apesar do crescimento exponencial das estradas, o estado decidiu “reformular” a GNR - Brigada de Trânsito que, teve como resultado, a diminuição da fiscalização do cumprimento do Código da Estrada e a não reduzir o número de acidentes com mortes na estrada como eram os objectivos propostos pela Autoridade de Segurança Rodoviária (ANSR) na ESTRATÉGIA NACIONAL DE SEGURANÇA RODOVIÁRIA 2008-2015.

 

Coimbra - Fórum Distrital de Segurança Rodoviária.

 

 Um responsável da Brisa defendeu que a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária (ENSR) deve promover "modos de circulação mais brandos" nas áreas urbanas, apostando na construção de vias para bicicletas e peões.

 

"Deve investir-se mais em obras estruturantes que planeiam e modificam as cidades", disse à agência Lusa António Pinto dos Santos, gestor operacional da Brisa – Auto-Estradas de Portugal. Reiterando a opinião expressa hoje no Fórum Distrital de Segurança Rodoviária, organizado pelo Governo Civil de Coimbra, em conjunto com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

 

Pinto dos Santos disse que cabe ao Estado e às autarquias fazer "esse investimento para o futuro".

As vias destinadas à circulação de peões e bicicletas deverão estender-se a infra-estruturas urbanas diversas, incluindo às pontes e viadutos.

 

Pinto dos Santos deu o exemplo da célebre ponte de São Francisco, a Golden Gate Bridge, na Califórnia, que "é o sítio mais visitado" daquela cidade norte-americana, por ter assegurado aqueles modos de circulação. O representante da Brisa, responsável pela gestão da A1 entre Santarém e Coimbra Sul, lamentou que a terceira ponte sobre o rio Tejo, tal como as duas já construídas, não preveja essa possibilidade.

 

"Seria mais lógico gastar mais algum dinheiro com esse fim na ponte 25 de Abril, permitindo o acesso de peões e bicicletas", preconizou.

Pinto dos Santos aludiu ainda ao caso de Amesterdão, na Holanda: "o ciclista é uma entidade absolutamente respeitada numa cidade tão antiga", disse, salientando que a Holanda dispõe de 30 milhões de bicicletas para 13 milhões de habitantes.

 

No seu entender, "é necessário obrigar os urbanistas e os planeadores" a privilegiarem aqueles modos de circulação nas cidades e "investir mais nos transportes públicos". Falando em representação do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), responsável pela elaboração da ENSR, o investigador João Queirós defendeu, por seu lado, que "é preciso pensar na educação cívica desde o início da socialização da criança", com vista a uma maior segurança nas estradas.

 

"O maior número de ocorrências significativas não fatais acontecem em arruamentos das vilas e cidades", observou, por seu turno, o governador civil de Coimbra, Henrique Fernandes. A sessão, no auditório do Instituto Português da Juventude, destinou-se a divulgar e debater a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária.

 

http://tv1.rtp.pt/noticias/?article=62097&visual=3&layout=10

 

 

O drama do homem é o de ser limitado nos meios e infinito nos desejos; assim, não pode ser plenamente feliz. François La Rochefoucauld

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Oficial de mecânica às 00:35 | link do post | comentar