Incumprimento do Código da Estrada...

As elevadas taxas de sinistralidade rodoviária em Portugal existem desde que apareceram os primeiros automóveis.

 

A aversão a regras e a falta de civismo aliadas à estranha incapacidade para compreender o automóvel, desde cedo que revelaram uma combinação explosiva.

 

Regras de condução alertavam:

 

“Podem os automóveis originar graves acidentes e constituir um perigo real, se forem guiados por mãos inábeis e se no seu emprego não houver a necessária atenção e cautela”.

 

Até à publicação do primeiro Código da Estrada de 1928, a sinistralidade rodoviária era verdadeiramente terrível, sucedendo-se os desastres e os atropelamentos.

 

Código da Estrada de 1928

http://www.ansr.pt/Default.aspx?tabid=292&language=pt-PT

 

Nos jornais, sucediam-se os conselhos de condução:

 

"A paragem brusca, sobre um obstáculo, de um carro embalado a 75 km/h, produz exactamente os mesmos efeitos que resultariam da sua queda de um 6.º andar”.

 

“Ao atravessar as povoações, devemos andar devagar e com a máxima cautela. Há que atender aos peões distraídos, aos cães estúpidos e às crianças estouvadas”.

 

“Um bom condutor não esmaga nada, nem sequer uma galinha", etc.

 

Apesar destes conselhos, as cifras negras continuavam a aumentar.

 

Com um parque automóvel inferior a 20 000 veículos, nos primeiros 3 meses do ano de 1927, houve 146 sinistrados e 25 mortos nas nossas estradas.

 

Em 1931, houve 235 mortos e 3081 feridos.

Seis anos depois, 354 mortos e 5023 feridos.

E assim continuámos até ao resto da história que hoje é bem conhecida.

 

Em 1937, realizou-se um Congresso Nacional de Automobilismo.

 

O diagnóstico e as soluções eram unânimes: Havia uma elevada taxa de incumprimento do Código da Estrada.

Era necessário aumentar a fiscalização e a repressão, nomeadamente sobre o excesso de velocidade.

 

Era preciso fazer campanhas massivas de sensibilização.

A formação tinha de começar na infância, nas escolas, etc.

 

Não será suficiente a formação nas escolas enquanto a publicidade colocar ênfase na velocidade e mostrar que um automóvel não é um simples meio de transporte mas, sinal de posição social, objecto de poder e de sedução.

 

A maioria dos compradores não vai querer que o “seu” carro seja apenas e só mais um carro.

 

Só com uma atitude social mais consciente no uso do automóvel, circulando mais devagar na via pública e utilizando veículos mais pequenos, nas deslocações individuais se conseguirá alguma melhoria na mobilidade e na redução de acidentes graves. Caso contrário, continuaremos com milhões de mortos e incapacitados em todo o mundo.

 

O automóvel já alterou as nossas vidas e deixou-nos dependentes da sua utilização devido ao desinvestimento no transporte público.

As novas gerações vêem como insustentável o mundo sem o automóvel, pelo menos num futuro próximo.

 

As marcas de automóveis sabem-no bem e preocupadas em manter o cliente, vão continuar nos futuros automóveis electricos com a modalidade de competição desportiva que apesar de tudo, sempre foi um laboratório para novas soluções para os automóveis de série.

 

Trabalham afincadamente na produção de super desportivos eléctricos. Para 2015, o SLS AMG Gullwing e a Ferrari apresenta um híbrido - Ferrari 599 Hybrid. É curioso ver o esforço que as marcas fazem para conceber veículos eléctricos mesmo que em protótipo que se aproximem das capacidades desportivas dos modelos a gasolina.

 

Os veículos desportivos continuarão a existir, mas para serem utilizados em espaços reservados para esse efeito.

 

Veículos Pesados

 

Actualmente, existe uma utilização massiva de veículos pesados como instrumento de trabalho.

 

1902 - Época de pioneiros.

 

Na primeira década da Scania como fabricante de camiões, as preocupações restringiam-se à boa funcionalidade do veículo.

Os camiões tinham uma protecção simples contra elementos da natureza: Pára-brisas, tecto e portas baixas.

 

No final desta década passaram a ter janelas de vidro. A década de 1920, ficou marcada pelas melhorias introduzidas ao nível da ergonomia e conforto, mas foi o radiador da Scania-Vabis que passou a ser a identificação comercial da marca sueca.

 

História da indústria automóvel:

http://www.youtube.com/watch?v=hstuFVr5Ug4&feature=player_embedded

 

Camião dos correios sobre rastos:

http://www.youtube.com/watch?v=PQzShivLo_E&feature=player_embedded

 

Os veículos pesados têm características que tornam os acidentes diferenciados em relação aos veículos ligeiros.

 

Os elevados danos materiais e corporais que por norma comportam os acidentes com veículos pesados, aliado às características dinâmicas, ao peso, à influência da carga, do sistema de travagem, número de eixos, etc., têm influência significativa na forma como ocorrem os acidentes.

 

Os veículos pesados podem ser em média, quando comparados com os veículos ligeiros: 5 vezes mais compridos, 1.5 vezes mais largos, 30 vezes mais pesados, demoram mais 50% do tempo e distância para parar e, demoram 3 vezes mais para virar ou passar um cruzamento.

 

Acidentes com Motociclos

 

A evolução de veículos de duas rodas tem sido enorme nos últimos anos. A redução do peso aliada ao aumento da potência melhorou consideravelmente as características dinâmicas dos veículos ao nível de aceleração e velocidade máxima. Apesar dos melhoramentos significativos, o accionamento do sistema de travagem é o mesmo há muitos anos, nomeadamente um travão de mão para a roda da frente e um travão de pé para a roda de trás.

 

Inúmeros estudos chegaram à conclusão de que um número significativo de motociclistas é incapaz de manobrar convenientemente os dois travões ao mesmo tempo, especialmente em situações de emergência e desta forma apenas usam metade da potência de travagem. Supostamente, esta dificuldade é causada pelo receio de bloquear uma das rodas, nomeadamente a da frente e de cair.

 

A condução de motociclos é 7 vezes mais perigosa que a condução de veículos ligeiros.

 

Utilizando apenas um único pedal, a desaceleração de um veículo ligeiro atinge um máximo de 10 m/s2 enquanto que um número significativo de motociclistas apenas consegue atingir pouco mais de metade deste valor, com inevitáveis implicações na distância de travagem.

 

Condução de moto:

http://www.imtt.pt/sites/IMTT/Portugues/Condutores/PerguntasExames/Documents/Cat_A-A_III-5300_2009.pdf

 

A verdade da segurança rodoviária é uma estrada com enormes buracos, à espera de serem tapados, com uma enorme dose de BOM SENSO!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Oficial de mecânica às 11:55 | link do post | comentar