Tempos de reação - Segurança Rodoviária...

Segurança Rodoviária

 

Só uma sinalização adequada constitui uma efetiva medida de prevenção aos riscos a que os trabalhadores a operar numa plataforma rodoviária estão expostos. A maioria das empresas em Portugal, ligadas à assistência nas estradas, não tem métodos internos sérios de investigação dos acidentes ocorridos com os seus trabalhadores.

 

Em Portugal não há o “hábito” da partilha de boas práticas, e nem mesmo em empresas que se dizem com responsabilidade social. A Segurança no Trabalho (SHST) deveria ser preventiva. De outra forma, qualquer programa de prevenção de riscos profissionais se tornar ineficaz.

 

A sinalização deve ser colocada para que o condutor tenha tempo para a sua apreensão e reaja atempadamente - Tempos de reação:

Para 120 Km/h (120.000 m/h) e com a sinalização a 500 metros, o condutor tem apenas 15 segundos para reagir.

 

Tem sido aconchego "ideal" na consciência social e nas entidades com responsabilidade na fiscalização rodoviária, centrar a culpa na velocidade/excessiva ou no excesso de velocidade. Provavelmente, porque existe uma enorme lacuna em matéria de fiscalização da Sinalização Temporária de acidentes e de obstáculos ocasionais nas vias concessionadas.

 

Sinalização que, por vezes, é inexistente ou quando surge, resume-se a uma placa indicativa única, mesmo em cima do acidente ou do perigo, não deixando praticamente ao condutor capacidade de decisão em tempo útil para que este escolha, antecipadamente, a atitude correta a tomar.

 

Quando acontecem "novos" acidentes, devido a lacunas na sinalização (temporária) de um acidente já existente, as autoridades policiais não hesitam em apontar o excesso de velocidade como a causa principal, o que deixa à partida qualquer investigação mais “profunda” ao acidente, seriamente comprometida.

Como resultado, os veredictos nos Tribunais Portugueses, talvez por suscitar responsabilidades melindrosas, criminais, cíveis e até mesmo politicas, tem emanado poucas decisões desfavoráveis a agentes ou entidades responsáveis pela assistência nas estradas.

 

Não se obtendo, por essas mesmas razões, grandes efeitos em queixas apresentadas junto de entidades com responsabilidade de fiscalização nessa área. No entanto, o princípio de confiança do condutor com uma estrada ou autoestrada concessionada, não pode e não devia de ser traído por quem detêm a responsabilidade na sinalização dos locais que possam oferecer perigo ou restrições especiais para o trânsito.

 

Na maior parte das situações esquece-se de que a “gestão do perigo” é acautelada na pré-sinalização, quantas vezes, gravemente violada e impossibilitando que o condutor faça uma avaliação do perigo. Argumenta-se demasiadas vezes que houve falta de atenção ou que o condutor circulava em excesso de velocidade, mas no mínimo deveria de haver partilha de culpa, principalmente, quando os requisitos legais não tivessem sido observados.

 

Se um condutor circula numa estrada com uma sinalização que permita circular até 120 Km/h, como o caso das Autoestradas, fará uma "gestão do perigo" e arrisca os 130 ou 140 km/h (sempre 10 ou 20 km/h acima do indicado), a maioria dos automobilistas fazem-no. O condutor sente que vai com condições de segurança com um excesso de 10 ou 20 km/h acima do permitido e, se circula numa autoestrada concessionada, a sua expectativa é de que a estrada em que circula estará desobstruída ou, em caso contrário, devidamente sinalizada.

 

É nessa sinalização (temporária) que se revela a importância fundamental na “gestão do perigo” com que o condutor contará numa determinada situação. Na colocação de Sinalização Temporária haverá que ter em conta, não apenas a colocação dos sinais, mas o bom senso na sua adaptabilidade:

 

* Condições atmosféricas (chuva, nevoeiro, etc.);

* Visibilidade (dia, noite, etc.);

* Configuração do traçado onde se encontra o acidente e/ou o obstáculo (curva, lomba, etc.);

* Características (nº de vias, com/sem berma, etc.);

* Intensidade do tráfego (volume, velocidade na zona, +- veículos pesados, etc.);

* Provável gravidade e/ou provável duração (meios envolvidos, etc.).

 

 

Eu não inventei nada. Eu redescobri.

August Rodin

 

 

 

publicado por Oficial de mecânica às 23:25 | link do post | comentar