Cidadania na Estrada…

D I R E I T O de I R e V I R

Carlos Drummond de Andrade

 

Outro dia fui ao médico e ele me perguntou se eu ando bastante a pé.

- Muito - respondi.

- Pois então ande mais ainda.

 

O conselho é saudável,

mas não sei como se possa andar com as calçadas e o leito das ruas cheios de veículos, sem uma beirinha para o infortunado pedestre.

Fomos definitivamente proscritos da cidade. E não temos para onde ir, pois o progresso chega ao interior, com seu cortejo de máquinas, desde o automóvel até a carreta, passando pela moto, a escavadeira, a britadeira e demais bichos mecânicos incumbidos de obstar o alegre movimento das pernas.

 

Estava pensando na impraticabilidade da prescrição médica, e me pedir de volta o dinheiro da consulta, quando meus olhos se abriram à notícia de que vai ser criada a Associação de Pedestres do Rio de Janeiro, a exemplo da existente em São Paulo.

 

Aleluia!

Se me dessem licença, gostaria de ser o primeiro associado inscrito, mas receio que, ao se instalar a entidade, não tenha condições de chegar à sede, pelas dificuldades do trânsito.

Serei talvez associado telefónico ou postal, caso não me seja negado o direito de ir da minha residência até a agência de correio mais próxima.

A associação, dizem-me, editará uma cartilha do pedestre, que me habilite a desfrutar os direitos da minha condição.

Talvez fosse judicioso editar simultaneamente a cartilha do motorizado, para que esta faça a revisão de conceitos até agora norteadores de seu comportamento.

 

Assim, pelo menos reivindicaremos nossos direitos específicos brandindo cartilhas em lugar de palavrões ou argumentos baculinos.
Vencerá quem melhor usar sua cartilha.

Apenas, temo que
nós, pedestres, não tenhamos chance de tirar do bolso o folheto que será a nossa Bíblia, também pedestre, pois a experiência comprova que o motorizado
não dá tempo para o confronto de princípios. Os princípios em geral são nossos, e a

rua é deles, senão a cidade inteira.

Sou ainda forçado a meditar na precariedade de uma associação que, como todas as outras, reúne indivíduos e não santos de altar. A maioria esmagadora dos indivíduos, como se sabe, aspira a ser qualquer coisa além do que é.

Falamos mal do carro ou do ônibus se ele ameaça atropelar-nos, mas bem que gostaríamos de ser donos de uma traquitana ou
de uma empresa de transportes.

Evidentemente, é diverso o ponto de vista de quem está dentro do veículo, com relação ao ponto de vista de quem está fora -
e a propriedade cultiva seus valores éticos distintos.

Imagina se eu,
segundo secretário da Associação, me cansar da posição inconfortável de pedestre e disputar o sorteio de um Chevette. E ganhar.

Serei um traidor da classe ou apenas um fraco mental exausto de pleitear uma vaga de transeunte,
sempre recusada?

 

O pedestre é,
afinal, uma espécie que tende a desaparecer, se é que já não desapareceu de todo, e eu estou aqui briquitando nestas teclas sem me dar conta de que também
sumido mapa e sou apenas um fantasma do Segundo Reinado, que açambarcava o espaço
infinito de um Brasil sem desenvolvimento, quando o único veículo era o cavalinho maneiro.

Já estava
conformado com a etiqueta social de fantasma, quando leio que a
Associação de Pedestres de São Paulo é constituída de arquitectos, engenheiros, economistas, pessoas indubitavelmente vivas e actuantes na vida brasileira de hoje, e que a futura entidade carioca vem sendo organizada por um sociólogo.

 

Então, nem tudo
está perdido, não sou o “revenant” que supunha ser, e devo admitir que ainda existem pedestres, por sinal qualificados, e dispostos a defender seus direitos, de maneira organizada e eficiente.

Fora de brincadeira:

é criar e tocar pra frente, com ânimo e perseverança. Assim como as associações de moradores de bairro vão conseguindo formar uma consciência comunitária, sensibilizando as autoridades, pois se trata de uma força ascendente, capaz de exercer pressão e comprovar a eficácia do apelo colectivo, uma associação de pedestres, formando em comunhão de vistas com aquelas, cuidará daquilo que interessa a
todo o complexo urbano e pede tratamento especial.

 

Vamos trabalhar
pela afirmação (ou reafirmação) da existência do pedestre, a mais antiga qualificação humana do mundo. Da existência e dos direitos que lhe são próprios, tão simples, tão naturais, e que se condensam num só: o direito de andar, de ir
e vir, previsto em todas as constituições... o mais humilde e o mais desprezado de todos os direitos do homem.

 

Com licença: queremos passar.

(Publicada em Jornal do Brasil de 9/5/82-Domingo)

 

Cega morre atropelada à frente do marido

 

Luís Ferreira, paraplégico, era os
olhos da mulher, invisual.

Domingo de madrugada, viu-a esvair-se em sangue,
atropelada quando iam para casa, na Trofa. "Não sei como aconteceu. Ouvi o
estrondo e chamei: 'Ó Guida!'. Quando olho, ela estava lá à frente",
conta. Margarida Gonçalves Fonseca não resistiu aos graves ferimentos e morreu
já no hospital.

 

Homem habituado a lidar com a sorte,
que vende para continuar a sobreviver, Luís terá pressentido novo azar nos 49
anos que carrega de vida: "Já lhe tinha dito que não queria vir àquela
hora. Parece que alguma coisa me estava a dizer...". Mas a vontade de
Margarida cumpriu-se e apanharam, no Porto, onde Luís é vendedor de cautelas,
no bingo do Salgueiros, o último comboio para S. Romão do Coronado (Trofa).

 

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Trofa&Option=Interior&content_id=1958318

 

Um homem de 72 anos foi ontem esmagado, entre uma parede e um camião

 

carregado de tomate, numa zona muito
estreita da EN114, em Raposa, Almeirim, e acabou por morrer. A vítima caminhava
na estrada e foi colhida quando se cruzaram dois pesados. Foi socorrida pelos
bombeiros, mas viria a falecer a caminho do Hospital de Santarém.

 

http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=ECD41A1A-0851-48F7-B4A5-3A8603F2C547&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021

 

Ciclista morre em embate violento com automóvel

 

na Estrada Nacional 125,
na zona dos Salgados, sentido Faro-Olhão.

 

Segundo fonte do INEM, tratou-se de
um embate com "alguma violência" porque o homem, cuja idade ainda não
foi possível apurar, já estava morto quando a equipa médica chegou ao local.

No local estiveram os Bombeiros de Faro, GNR, INEM e concessionária da EN 125.

 

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Faro&Concelho=Faro&Option=Interior&content_id=1958594

 

Mãe de bombeiro morre atropelada

 

Uma mulher de 59 anos, mãe de um
bombeiro estagiário de Albergaria-a-Velha, morreu atropelada, ontem à tarde na
N1/IC2, na Branca. O condutor, segundo testemunhas, ainda travou, mas não
conseguiu evitar o acidente. Maria de Lurdes Alves Bernardo Henriques teve
morte imediata.

 

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/mae-de-bombeiro-morre-atropelada

 

Motociclista morre na EN125

 

Ventura Baptista, de 53 anos, regressava a
casa no seu motociclo, depois de mais uma aula na escola de condução, onde
estava a tirar a carta de ligeiros, em Portimão. Encontrou a morte às 22h22 na EN125,

perto do supermercado E.Leclerc, quando um carro, que terá
desrespeitado a sinalização no local, se atravessou na frente.

 

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/motociclista-morre-na-en125

 

Despiste mata jogador do Benfica de Castelo Branco

 

Um despiste ocorrido na
Estrada Nacional 352, entre Alcains e Escalos de Cima, em Castelo Branco,
provocou um morto e um ferido grave.

 

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/despiste-mata-jogador-do-benfica-de-castelo-branco

 

 

Quando teremos um pouco mais de civilidade e de humanidade nas estradas ???

 

 

 

 

 

 

publicado por Oficial de mecânica às 00:04 | link do post | comentar