Década de Acção para a Segurança no Trânsito...

Década Global de Acção para a Segurança no Trânsito

 

Todos devemos contribuir enquanto condutores, peões ou qualquer outra forma de utilizadores da estrada e do espaço público, para que não tenhamos noticias como esta:

 

Pombal - Família desfeita no regresso a casa

Bebé de dois anos não resistiu aos ferimentos sofridos num despiste violento na A1, num dia em que morreram mais duas pessoas nas estradas.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/familia-desfeita-no-regresso-a-casa013956807

 

Década Global de Acção para a Segurança no Trânsito

 

Foi com grande agrado que marquei presença no Lançamento da Década Global de Acção para a Segurança no Trânsito na Escola Nacional de Saúde Pública em Lisboa no dia 11 de Maio de 2011.

 

http://www.aca m.org/w/index.php5?title=P%C3%A1gina_principal

 

O evento foi muito interessante no que respeitou aos vários intervenientes. A Exma. Sra. Ministra da Saúde Ana Jorge marcou a abertura e
o Dr. Francisco George que é o Director-Geral da Saúde e Coordenador da Década, procederam à abertura.

 

Penso que o Dr. Francisco George será um coordenador seriamente interessado pelo que constatei do seu discurso. Os que estavam presentes são certamente, já pessoas preocupadas com a problemática. Falta que as acções passem para o grande público e, não vi que a comunicação social fizesse o devido eco (o que vi passar na TV foi a pergunta à Ministra quando da sua saída deste evento – e foi sobre a polémica dos médicos colombianos que vieram para o serviço nacional de saúde).

 

Quanto aos intervenientes, a outros presentes da sociedade civil e de ONGs ligadas à problemática, cada um direccionado à sua área, todos foram bastante esclarecedores. Para quem desejar, desde o dia 11 de Maio de 2011, o Curso Livre de Sobrevivência Rodoviária, está acessível a todos os cidadãos.

 

Esta ferramenta foi projectada como um dos contributos da ACA-M para a Década Global De Acção Sobre Segurança Rodoviária 2011-2020, uma iniciativa da ONU e da Organização Mundial de Saúde: http://www.mobilidades.org/aca-m/

 

2nd Meeting of NGO's for Road Safety & Victims (Part A) - Portuguese translation A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução A/64/L.44/Rev.1 que declara o período 2011-2020 como a Década Global de Acção para a Segurança no Trânsito.

Esta iniciativa da ONU resulta da declaração de situação de pandemia mundial da sinistralidade rodoviária por parte da Organização Mundial de Saúde, que passará em breve de 9ª para 5ª principal causa de morte da humanidade.

 

Vídeo: Manuel João Ramos (ao 4:30)

http://www.youtube.com/watch?v=GN_dk35cUEM

 

- Foi muito esclarecedor o discurso da Dr.ª Raquel Ramos que representou o INEM (todos se lembram do grave acidente da A25);

 

- A Dr.ª Lúcia Ferreira, representante da Associação Perdas e Afectos http://www.perdaseafectos.org/ deu um contributo muito importante na divulgação do trabalho feito pela associação (lembrou o grave acidente em Amarante provocado pelo embate de um veículo descontrolado, durante uma procissão religiosa ou, que morre uma pessoa de 2 em 2 semanas na Nacional 116);

 

- Também de grande importância a presença da APSI - Associação para a Promoção da Segurança Infantil http://www.apsi.org.pt/ - conhecida como a associação das cadeirinhas (que poucos condutores sabem como as colocar correctamente);

 

- A Dr.ª Maria de Belém também estava presente na assistência e teve uma intervenção muito decidida que mostra conhecer a problemática (falou da falta de presença das seguradoras no evento, do problema da justiça, etc);

 

- A Dr.ª Maria João Quintela (Associação Âncora) referiu a importância da divulgação desta “guerra” na comunicação social, nas escolas, nos idosos;

 

- O cabo José Alho, da Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda (ASPIG), lembrou que se continua a esquecer uma unidade que serviu o país mais de 3 décadas e que devido à sua errónea extinção - a sinistralidade tem vindo a aumentar (esteve melhor que dois outros representantes das polícias que estiveram “calados”);

 

- O Rui Zink em representação da Liga Contra o Trauma, apresentou a Carta compromisso e, como é seu hábito, consegue falar de coisas sérias com um humor mordaz: http://www.youtube.com/watch?v=RwVcARk9FGU&feature=player_embedded#at=52

 

- O Dr. Paulo Marques, presidente da ANSR falou essencialmente de “estatísticas”, mas a monitorização dessas não parece encontrar concordância com a realidade (em Janeiro apresentava 747 vítimas num relatório provisório e em Maio deu 741);

 

- O Lançamento neste evento do livro Risco e Trauma Rodoviários em Portugal, publicado pela Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (e oferecido aos presentes pela ACA-M). Foi uma iniciativa que representa um passo importante no reconhecimento do fenómeno da sinistralidade rodoviária como um gravíssimo problema de saúde pública, que requer uma abordagem abrangente e soluções multidisciplinares.

 

- Para quem não conhece -a investigadora Maria João Martins tem também um excelente livro sobre a problemática do comportamento de risco nas
estradas. “A Culpa não foi minha!”.

 

Segurança Rodoviária: Leis não devem facilitar sentimentos de impunidade - investigadora (Maria João Martins).

Perspectiva sobre a situação portuguesa:

 

Numa época de crise económica que se agrava diariamente, as falhas de construção das infra-estruturas, os problemas de organização das forças policiais, a legislação deficitária e não aplicada, as lacunas na educação para a cidadania rodoviária, os atrasos e deficiências dos tribunais, irão somar-se ao envelhecimento do parque automóvel, ao aumento do número dos condutores sem licença e das viaturas sem seguro, ao adiamento de obras de repavimentação e beneficiação de ruas e estradas, ao agravamento dos encargos com a saúde hospitalar, ao subfinanciamento da resposta de emergência e de reabilitação das vítimas.

 

A situação da sinistralidade rodoviária em Portugal é, e vai ser, por isso preocupante. Este é o segundo ano consecutivo de aumento efectivo da mortalidade nas estradas, e as estatísticas da sinistralidade continuam a merecer grandes suspeitas: em 2010, os dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária indicam que 10% das vítimas mortais (a 30 dias) foram inicialmente contabilizados como feridos ligeiros!

 

É de nos perguntarmos como é que uma pessoa sofrendo leves escoriações pode morrer na sequência de uma alta hospitalar, ou então qual é fiabilidade do processo de recolha de dados por parte da ANSR.

 

A única possibilidade de inverter esta tendência é através do reconhecimento lúcido do problema, e da assunção de um compromisso claro e alargado para que as medidas que se impõem urgentemente possam ser tomadas para salvar vidas e para reduzir a delapidação dos nossos magros recursos financeiros. Devemos estar cientes que a promoção da segurança rodoviária tem de ir a par, por um lado, com os impactos humanitários dos desastres na estrada e dar o devido valor e apoio às vítimas e seus familiares e, por outro, assentar em modelos de mobilidade mais sustentáveis que aqueles que temos hoje disponíveis.

 

O aumento da segurança rodoviária passa por novas leis que “não facilitem sentimentos de impunidade por parte dos infractores”, defendeu a enfermeira Maria João Martins, que investigou como a culpa pode alterar comportamentos na estrada.

 

Numa tese de mestrado defendida há cerca de um ano e que foi editada em livro, a enfermeira registou que a “auto-culpabilização, caracteriológica
e comportamental, não contribuiu para a mudança de comportamento” e que a culpa parece que reside apenas nos outros.

 

O trabalho com vítimas de trauma rodoviário despertou o interesse da investigadora face à “quase obrigatória referência à culpa: no sentido de a sentirem ou não”.

 

Questionada sobre como alterar consciências, Maria João Martins referiu à Lusa que 'gostava de ter a resposta”. No entanto, acrescentou a necessidade de estratégias concertadas que devem “obrigatoriamente emanar dos Estados e das opções políticas”, mas também de novas leis que “não facilitem sentimentos de impunidade por parte dos infractores”.

 

O novo enquadramento legal deve ainda responsabilizar as entidades construtoras das infra-estruturas.

A enfermeira defendeu também o alargamento da formação dos condutores, além dos aspectos técnicos, principalmente para a vertente cívica:
“incrementando a ideia de que conduzir é um ato com consequências sociais”.

 

A propósito do dia da Segurança Rodoviária, enquanto membro da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M), Maria João Martins está a
colaborar com alunos do Barreiro, enquanto para o lançamento da Década, proposta pela Organização Mundial de Saúde, tem organizado uma oficina de formação com professores.

 

A sua tese de mestrado intitula-se “’Nunca tive um comportamento de risco, mas já andei na auto-estrada com a minha mota a 290’ - Acidentes rodoviários: culpa e comportamento preventivo”.

 

O objectivo foi compreender a “relação da culpa em acidentes rodoviários e a mudança de comportamentos no sentido preventivo” através de
relatos de 19 pessoas, com uma média de 34,2 anos, que tivessem sofrido acidentes nos últimos três, quatro anos e com lesões físicas nos próprios ou em terceiros.

 

Os resultados sugeriram que a “auto-culpabilização, caracteriológica e comportamental, não contribuiu para a mudança de comportamento” e que a culpa residirá nos outros. A avaliação negativa feita do comportamento dos outros, enquanto condutores e peões, “denota uma apreciação destes como adversários que se encontram num ambiente hostil”.

 

A investigação indicou que a culpa formal, averiguada por seguradoras e tribunais, pode contribuir para a mudança comportamental.

A enfermeira exemplificou que nos casos de colisão traseira com outro veículo passou-se a manter maior distância de segurança do veículo da
frente. Nas infracções e infractores, os entrevistados fizeram um “discurso indirecto de auto-desculpabilização”:

“A agressividade que é tão vincada para caracterizar o comportamento dos outros, justifica-se pelos nossos participantes com base no carácter daqueles e em ‘dias menos bons’”.

 

Já o sentimento de culpa é independente da atribuição de culpa formal: dos 12 indivíduos que disseram que não podiam ter evitado o
acidente, sete foram formalmente culpados. “Aparentemente, (o envolvido) não estabelece nexo de causalidade entre os comportamentos adoptados e os acontecimentos que lhe sucederam”, acrescentou na tese.

 

http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=46841

 

 

«Ninguém ignora que não é grande, nem inteligente, nem elegante o meu país (…) » Eugénio de Andrade

 

Conduza na defensiva. Tenha um comportamento atendível.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Oficial de mecânica às 23:08 | link do post | comentar