Central de Tráfego da Auto-estrada…

Muito se tem falado em sinistralidade rodoviária em Portugal.

 

Existe uma matéria na questão da segurança rodoviária que me é muito próxima e que respeita ao patrulhamento e à sinalização de acidentes em auto-estrada.

 

Tendo iniciado em Maio de 1992 a profissão de oficial de mecânica e sem que antes tivesse conhecimento deste tipo de trabalho, pude constatar a importância que o patrulhamento tem na prevenção de acidentes.

 

Mas, a partir da última fase de privatização da empresa que ocorreu em 2001/2002, o numero de mecânicos em escala foi diminuindo gradualmente e o patrulhamento passou a ser visto como uma despesa inevitável e obrigatória. Situação que se reflectiu também no apoio a acidentes e que se mostrou preocupante no caso da necessidade de uma segunda viatura para apoio.

 

Estas questões foram sempre por mim colocadas aos meus superiores hierárquicos que no entanto, não foram merecendo a atenção que eu esperava.

Os CEO's portugueses, na sua maioria, impedem que se produza a libertação responsável do indivíduo, mesmo que isso possa contribuir no interesse da organização. A realidade é que o "jogo" dos interesses institucionais e materialistas perpétua e prolonga a situação de desinformação colectiva para impedir a liberdade individual.

 

Como não obtivesse o merecimento para uma questão tão delicada, não restou alternativa que não fosse a participação a entidades como: a ANSR ou o IniR,IP. Obtendo como resposta: o “ não me comprometo”. Este é o paroxismo em que as entidades oficiais se encontram.

 

Estas questões passam pela segurança dos oficiais de mecânica no que concerne à segurança no trabalho - SHST (participado também à ACT), mas também pela segurança dos utentes. Como agravante, a extinção da GNR-BT resultou numa redução de efectivos que estavam colocados nos centros operacionais CO's, ao serviço exclusivo das auto-estradas que colaboravam cumulativamente nos referidos patrulhamentos e na actuação em acidentes.

 

Houve casos em que não chegava ao local a Brigada de Trânsito afecta à Auto-estrada (apesar de utilizarem uma viatura ”dada” pela concessionária), mas uma outra, que na maioria das situações tem uma demora considerável para o caso em que exista obstrução da faixa de rodagem. Isto para que se se evitem acidentes com resultados catastróficos como os que foram notícia recente na A25 (http://cambiantevelador2.blogs.sapo.pt/2774.html).

 

Assim, como as respostas às minhas questões não tiveram resultados efectivos por parte da empresa e a resposta das entidades com responsabilidade de fiscalização foi displiscente, acabei a dirimir em tribunal todas as questões.

 

Estas passam pela interpretação do Código da Estrada (Decreto Regulamentar 22-A/98 de 1 de Outubro) e pelo Manual de Sinalização Temporária no que respeita à forma de actuação em situação de acidentes (aguardando uma decisão).

 

Para além de estar em causa uma questão profissional, está também uma questão de consciência cívica aquando do desempenho de funções profissionais em que a segurança de terceiros pode estar sob a responsabilidade do executante de um determinado tipo de prestação de serviços.

 

O trabalho do oficial de mecânica efectua-se em conjunto com o operador da central de comunicações...

 

Actualmente, os operadores desempenham funções no centro de coordenação operacional (CCO), mas apesar de estarem neste centro nervoso (Trading Room), não têm poderes de decisão.

 

http://www.construlink.com/Homepage/2003_GuiaoTecnico/Ficheiros/gt_378_edificios_energias_alternativas_05_2006_11_20.pdf

 

Estes, apesar de visionarem pelas câmaras de vigilância e de terem um elemento da GNR-BT em permanência no CCO, não tem autonomia na gestão das viaturas que estejam ao dispor no turno e mesmo que disponíveis (em stand-bay).

 

Em caso de necessidade de uma segunda viatura para apoio, os operadores, têm de consultar o Gestor Operacional da respectiva área de actuação, apesar de todos os inconvenientes em termos temporais mas, justificado pela chamada “optimização” dos meios.

 

Só um fogo quebrou a calma na central de tráfego...

 

O elemento da GNR que ali se encontrava anunciou: "Vão cortar o trânsito na A4, ao quilómetro 34,2, na zona de Paredes"… "Temos um painel de mensagens variáveis por cada sublanço, entre cada entrada e cada saída, nos dois sentidos, totalizando 200"…

O CCO coordena 11 auto-estradas

Mais as vias rápidas do Baixo Tejo (Margem Sul), a rede de vias rápidas do Grande Porto, incluindo a VCI, a concessão Brisa da A17, o IC2 e outras vias da área de Leiria.

Com 550 câmaras de vídeo de longo alcance1106 quilómetros de rede de auto-estradas...

Além do que vê, o operador tem como fontes de informação as patrulhas de assistência que estão em circulação permanente, os utentes que o contactam pelos postos SOS ou pelo número azul (808 508 508), a GNR e o serviço de emergência (112).

Com uma média de 900 mil veículos por dia a circular nas suas auto-estradas

 

Cada carrinha de assistência percorre, em média, 180 mil quilómetros por ano.

 

http://w3.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1651267&ref=nf

 

Para alcançar o objectivo da ESTRATÉGIA NACIONAL DE SEGURANÇA RODOVIÁRIA 2008-2015, será necessário "diminuir ao máximo o tempo de resposta no atendimento ao automobilista. A reactivação da GNR-BT ou de uma “polícia de trânsito” similar, tem enorme importância para que se atinja esse objectivo.

 

Na Europa, a distância média do patrulhamento nas vias por parte de uma autoridade policial e tendo em conta os carros a circular a médias de 80 quilómetros/hora, é de 35 quilómetros. Em Portugal, essa distância é de mais de 200 quilómetros.

 

As campanhas são pouco eficazes.

 

Não anunciam comportamentos e procedimentos verdadeiramente defensivos na estrada e, os factores mais frequentes da sinistralidade que não são apenas o” andar devagar”, estão pouco divulgados.

 

Não faz sentido enfatizar a questão do excesso de velocidade e depois ter radares de trânsito que não funcionam ou, uma justiça que fica impossibilitada de actuar devido ao excesso de multas que entram nos tribunais.

 

A reparação dos radares fixos como os que estão sob a alçada da Câmara Municipal de Lisboa (CML), utilizam verbas nos contratos de manutenção com empresas fornecedoras desses equipamentos na ordem de mais de um milhão de euros por ano.

 

A deficiente observação do cenário rodoviário e a inadequada resposta a imprevistos atmosféricos por parte dos condutores, deveria ser do conhecimento de "todos", como os potenciais factores para que possa ocorrer um acidente rodoviário.

 

Enquanto as campanhas não passarem por áreas fundamentais e que o condutor não se sinta apenas agredido com a questão da velocidade excessiva (apesar de esta ser relevante no contributo para que ocorra um acidente), continuaremos a ter um baixo retorno de captação e de entendimento.

 

Quando a ênfase se restringe maioritariamente à redução da velocidade, parece até que alguém para circular em segurança tem de “andar parado”.

 

Pela minha experiência sei que não há dois sinistros rodoviários iguais. O que temos, são formas muito similares de evitar que aconteçam e que pode significar mais de 90% dos casos.

 

São necessárias medidas e mensagens mais proactivas.

 

De uma maneira geral, os condutores sabem que têm de conduzir com mais atenção e que têm de manter distâncias mínimas de segurança.

 

O que é necessário é que aprendam a ler e a observar correctamente o cenário rodoviário e muito importante, como actuar nos incidentes na estrada.

Infelizmente, estas questões não parecem fazer parte da aprendizagem de quem tira a carta de condução. Como agravante, a” memória è curta” e o código da estrada que cada um teve que estudar para tirar a carta, há muito que está em parte esquecido.

 

A questão da segurança rodoviária é um problema global e apesar do desenvolvimento cultural de alguns países, este problema parece ter contornos terceiro-mundista por todo o lado.

 

Em Portugal a taxa de álcool para quem conduz está bem tipificada na Lei: Quem, pelo menos por negligência, conduzir veículo, com ou sem motor, em via pública ou equiparada, com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l. Art.º 292.º n.º 1 CP (...).

 

É importante saber que bastam dois copos de vinho de 20cl para que a nossa capacidade de reagir se agrave em 50%. Mas, quando conduzimos mais de 15 horas depois de acordar podemos estar em idênticas condições!

 

O Instituto de medicina legal refere que mais de 40% dos condutores mortos autopsiados tinham valores superiores a 1 g/l de taxa de alcoolemia, o que revela a importância dessa fiscalização.

 

A fiscalização aos tempos de condução...

Lei n.º 27/2010 de 30 de Agosto - Estabelece o regime sancionatório aplicável à violação das normas respeitantes aos tempos de condução, pausas e tempos de repouso e ao controlo da utilização de tacógrafos, na actividade de transporte rodoviário, transpondo a Directiva n.º 2006/22/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de Março, alterada pelas Directivas nºs 2009/4/CE, da Comissão, de 23 de Janeiro, e 2009/5/CE, da Comissão, de 30 de Janeiro.

 

http://www.imtt.pt/sites/IMTT/Portugues/Paginas/IMTTHome.aspx

 

Todos os países têm preocupações nestas matérias. Na França, a opção da carta por pontos ou os radares

http://www.youtube.com/watch?v=lfNFFIDMWxE

 

Na Alemanha, têm há muito especialistas para os acidentes. A nossa vizinha Espanha, também a braços com preocupações sobre a segurança rodoviária.

http://www.traffictechnologytoday.com/news.php?NewsID=23936

 

Em Portugal os Governos Civis têm Gabinetes de Segurança Rodoviária

http://www.mdb.pt/noticia/18

 

Finalmente, parece que em breve o numero “escondido” nas estatísticas dos feridos graves que morram fora do local do acidente, vai ser incluído nessas contas. Pelo que a ANSR terá de divulgar o registo dos falecimentos até 30 dias após o acidente.

 

A velocidade é sempre um factor de risco.

 

No entanto, uma “boa” estrada pode reduzir a possibilidade de acidente, bem como um automóvel seguro pode reduzir a gravidade do acidente. Isto se partirmos do pressuposto que a maior parte dos acidentes rodoviários ocorre devido a erro humano.

 

E assim sendo, terá de ser implementado o reforço no ensino da condução defensiva que prepara o condutor para as situações de emergência que deveria ser um dos requisitos para a obtenção da carta de condução. As medidas verdadeiramente estruturais nunca foram tomadas, o que tem permitido que a maioria das estradas dentro das localidades permita que se pratiquem velocidades proibitivas nesse meio rodoviário.

 

Esta é responsabilidade do Estado logo na construção e também na consequente manutenção das vias rodoviárias. Não se esgotando aí essa responsabilidade, passará também pelas campanhas de prevenção e inevitavelmente, pela repressão dos condutores.

 

A Direcção de Operações pede maior utilização de radares e vídeos provida (radares móveis utilizados nos carros patrulha).

No entanto, todos sabem que "A componente visível é a forma mais correcta de evitar o acidente e é mais eficaz do que um radar escondido”.

 

http://www.ionline.pt/conteudo/76424-gnr-da-ordens-aumentar-utilizacao-radares

 

Da minha experiência enquanto oficial de mecânica, sempre verifiquei que os acidentes ocorrem por falta de tempo e de espaço e porque, são poucos os condutores que sabem determinar a distância mínima de segurança. Só com uma ampla compreensão de todos quantos fazem uso das rodovias portuguesas será possível actuar eficazmente para reduzir o número de sinistros rodoviários em todas as vias Públicas.

 

1ª Conferência Inter-ministerial Global sobre Segurança Rodoviária - Moscovo a 23 de Outubro de 2009. http://www.who.int/roadsafety/ministerial_conference/en/index.html

 

Instituições com mais de 50 anos e observatórios de sinistralidade rodoviária a nível internacional:

http://www.iam.org.uk/

 

http://www.who.int/roadsafety/en/

 

http://www.who.int/roadsafety/decade_of_action/decade_of_action_sp.pdf

 

 

Distância de segurança

http://www.youtube.com/watch?v=P9gNESon87M&feature=player_embedded

 

Maus condutores

http://www.youtube.com/watch?v=4ebKO1JKR2I&feature=related

 

 

"Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos."

  Pitágoras

 

 

 

publicado por Oficial de mecânica às 23:24 | link do post | comentar